ENTRETANTO é um clube de relacionamento que usa a fotografia como forma de aproximação pessoal. Cri

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sobre a escolha de motivos fotográficos.

     por Plínio Ricardo


Uma das grandes dificuldades dos fotógrafos iniciantes é encontrar um tema fotográfico para ser trabalhado. Por entre as ruas e avenidas da cidade em que se vive tudo tem a tendência de se mostrar comum demais aos olhos destreinados. Ao observar os detalhes de um todo, entretanto, é possível a percepção de um maravilhoso mundo novo. Aonde a concepção de belo é repensada para uma nova estruturação do cotidiano. Uma parede, um beco, uma árvore, pessoas... a cidade renasce sob um diferente ponto de vista, o ponto de vista fotográfico. 









O ato contínuo de desenvolvimento da habilidade de “perceber as imagens” é uma das grandes reflexões presentes na fotografia. Costumo dizer aos meus alunos que devemos ver a vida com olhos de “estrangeiros” que, encantados com as novidades estéticas do caminho, tudo prestam atenção e se interessam. Brasília pode ser tão exótica para um Tibetano como o Tibet é exótico para o brasiliense. Os fotógrafos assumem a missão de retratar as luzes e histórias que se deparam de forma cosmopolita, levando em conta que aquela imagem pode ter grande importância para o observador que se encontra em uma cultura diferente daquela a qual o contexto da imagem retratada faz parte









Será comum notar que por muitas vezes os lugares que não possuem qualquer valor cênico ou turístico serão dotados de um potencial de luz e enquadramentos fantásticos, despertando assim novas sensações em quem observar as fotos, quem sabe velhos conhecedores daquele mesmo local que agora é representado de uma forma diferente aos olhos apressados da vida comum. Andreas Heiniger disse uma vez “Qualquer assunto ou objeto pode se transformar em uma imagem notável quando passa pelo olhar educado, elaborado, de um bom fotógrafo.” Tal constatação explica o fato que uma das atribuições inerentes à fotografia é evidenciar os detalhes que por vezes escapam aos olhos do povo, e somente se tornam vivos para reflexão quando congelados no tempo através de uma imagem fotográfica. Para isso o artista usa seu arsenal de referências, o mesmo Andreas Heiniger descreve “As referências presentes na formação do olhar são um processo contínuo, que antecede até mesmo a escolha da profissão e se estende por toda a vida. Trata-se de um repertório tão largo quanto possível, da interiorização de referências que nem sempre ficam no nível da consciência, mas sedimentam-se na memória, diluem-se na prática diária e permeiam de diferentes maneiras o trabalho realizado.“





Entendido isso, tomemos como exercício criativo e conceitual encontrarmos nossos próprios motivos fotográficos, interpretar a realidade e digerí-la em imagens. Capturar sem medo, a forma como a luz interage no cotidiano. Devemos levar em conta que muitas vezes o mais grandioso dos temas é o banal que nos cerca.

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